Friday, May 28, 2010

lua cheia



olhar distante –


a lua está cheia

de lágrimas


Copyright © 2010 Marco Alexandre de Oliveira

you don't say ...

"the best writers have said very
little
and the worst,
far too much."

(Charles Bukowski, "As The Poems Go.")

on academic poets ...

"now our moderns
lecture at universities
in tie and suit,
the little boys soberly studious,
the little girls with glazed eyes
looking
up,
the lawns so green, the books so dull,
the life so dying of
thirst."

(Charles Bukowski, "The Replacements.")

Tuesday, May 25, 2010

anti-poiesis


o poeta diz algo
o poema diz tudo
...........................
a poesia não diz nada


Copyright © 2010 Marco Alexandre de Oliveira

Monday, May 24, 2010

o eterno subversivo ...

"O pior é que ninguém sabe mesmo o que deseja o homem depois de casa, comida, educação e saúde. O cérebro esqueceu disto: necessita de poesia e para que haja poesia é necessário inconsciência."

"Nunca se falou tanto em liberdade, nunca se perseguiu tanto artistas e intelectuais.
O único eterno subversivo do mundo é o artista."


(Glauber Rocha, "Alphaville." O século de cinema.)

anjo malandro

expulso do paraíso,
o anjo malandro
manda tudo ao inferno
...


Copyright © 2010 Marco Alexandre de Oliveira

Tuesday, May 18, 2010

simply dialogical ...

GringoCarioca says:

Wikipedia is fundamentally unreliable

de-joaquinality says:

anything is

GringoCarioca says:

I prefer a “system” of checks and balances, even if also unreliable ... it is more reliable than the alternative

de-joaquinality says:

wikipedia is checks and balances

GringoCarioca says:

Wikipedia IS capitalist-bourgeois ideology at its best

GringoCarioca says:

“everybody” is an academic

GringoCarioca says:

“everybody” has power

GringoCarioca says:

ha ha ha ... I’m not fooled

de-joaquinality says:

knock-knock

GringoCarioca says:

go away

de-joaquinality says:

knock-knock …

GringoCarioca says:

get out!

de-joaquinality says:

knock-knock

GringoCarioca says:

I have a gun

de-joaquinality says:

will you let a man tell a joke?

de-joaquinality says:

knock-knock

GringoCarioca says:

who is it?

de-joaquinality says:

banana

GringoCarioca says:

banana who?

de-joaquinality says:

knock-knock

GringoCarioca says:

what do you want you mudda ...

de-joaquinality says:

knock-knock

de-joaquinality says:

let the man tell his joke!

de-joaquinality says:

knock-knock

GringoCarioca says:

WHO IS MUDDAFUCKIN there?

de-joaquinality says:

banana

GringoCarioca says:

banana who goddammit!

de-joaquinality says:

knock-knock

de-joaquinality says:

trust me, it’s almost there

de-joaquinality says:

knock-knock

GringoCarioca says:

who cares?

de-joaquinality says:

knock-knock

GringoCarioca says:

who’s there?

de-joaquinality says:

orange

GringoCarioca says:

orange who?

de-joaquinality says:

orange you glad I didn’t say banana?

GringoCarioca says:

bye-bye you anarchist you ...

de-joaquinality says:

tears of laughter

de-joaquinality says:

I assume …

GringoCarioca says:

sweet dreams ... oh wait, you already are dreaming!

de-joaquinality says:

I ass you me

de-joaquinality says:

lemme ass you this:

GringoCarioca says:

go wikipedia the word “dream” and change everything to signify “waking”

de-joaquinality says:

ok

GringoCarioca says:

with that in mind ...

GringoCarioca says:

good night

de-joaquinality says:

lave lun lin lalaland


(2005)

Sunday, May 09, 2010

on (dis)agreements ...

"And the reason this has not been emphasized is because the current fashion is to insist that everything is a language, to such an extent that what is said is overpowered and reduced to nothing by how one says it. This is a very common illusion. The angry lover shouts to his faithless mistress, 'You don't understand me!' But she understands him only too well; the case is simply that she no longer loves him. Whether filmic or verbal, language cannot suppress reality; on the contrary, it is rooted in reality. If men do not 'understand' each other, it is not only because of words, but also because of what the words contain. How many 'misunderstandings' are actually the result of too great an understanding! People always see a lack of understanding where there is real disagreement."

(Christian Metz, "The Cinema: Language or Language System." Film Language: A Semiotics of the Cinema." Trans. Michael Taylor. p. 73-74)


"A thing or being yields its singularity through expression in a message that implies no answer. Even the most harmonious love is not a dialogue so much as it is a kind of duet. Jacques tells Nicole of his love for her; Nicole tells Jacques of her love for him. They are therefore not speaking about the same thing, and one says rightly that their love is 'shared' (divided). They do not answer each other – indeed how can one really answer a person expressing himself?
Shared, their love is divided into two loves, which yield two expressions. For Jacques and Nicole, expressing as they did two different sentiments, to evolve, rather than the give-and-take of a dialogue, the agreement of a true encounter tending toward a fusion that abolishes all dialogue, there had to be a kind of coincidence – hence the rareness of the occurrence – rather than the interplay of influences and after-the-fact adjustments by which a dialogue is characterized. Like Jacques (without Nicole) or like Nicole (without Jacques), films and books express themselves and are not really answered."

(Christian Metz, "The Cinema: Language or Language System." Film Language: A Semiotics of the Cinema." Trans. Michael Taylor. p. 84)

an insane craft ...

"Literature – especially poetry – is a so much more improbable art! How can that insane craft ever succeed?– To bestow an aesthetic expressiveness (that is, in a natural way) upon those 'words of the tribe' Mallarmé railed against – where linguists agree in recognizing only a small portion of expressiveness and a very large portion of arbitrary signification ..."

"But when the poet has succeeded in his initial alchemy and has made words expressive, the greater part of his task is done: In this respect, literature, which is a difficult art, enjoys at least that advantage. It's endeavor is so arduous that the weight it bears is hardly a danger. There are a great number of books entirely lacking in art; there are a few books possessing enormous art."

(Christian Metz, "The Cinema: Language or Language System." Film Language: A Semiotics of the Cinema." Trans. Michael Taylor. p. 77-78)

Saturday, May 01, 2010

a arte da desrazão ...

"Uma obra de arte revolucionária deveria não só atuar de modo imediatamente político como também promover a especulação filosófica, criando uma estética do eterno movimento humano rumo à sua integração cósmica."

"As vanguardas do pensamento não podem mais se dá ao sucesso inútil de responder à razão opresiva com a razão revolucionária. A revolução é a anti-razão que comunica as tensões e rebeliões do mais irracional de todos os fenômenos que é a pobreza."

"Há que tocar, pela comunhão, o ponto vital da pobreza que é seu misticismo. Este misticismo é a única linguagem que transcende ao esquema racional de opressão. A revolução é uma mágica porque é o imprevisto dentro da razão dominadora. No máximo é vista como uma possibilidade compreensível. Mas a revolução deve ser uma impossibilidade de compreensão para a razão dominadora de tal forma que ela mesma se negue e se devore diante de sua impossibilidade de compreender."

"O irracionalismo liberador é a mais forte arma do revolucionário. E a liberação, mesmo nos encontros da violência provocada pelo sistema, significa sempre negar a violência em nome de uma comunidade fundada pelo sentido do amor ilimitado entre os homens. Este amor nada tem a ver com o humanismo tradicional, símbolo da boa consciência dominadora."

"Hoje recuso falar em qualquer estética. A plena vivência não pode se sujeitar a conceitos filosóficos. Arte revolucionária deve ser uma mágica capaz de enfeitiçar o homem a tal ponto que ele não mais suporte viver nesta realidade absurda."


(Glauber Rocha, "Eztetyka do sonho.")

Wednesday, April 28, 2010

A fábula do leite de coco e da coca cola

"As pessoas preferem os potes de conservas importados; ninguém tem a coragem de dizer-lhes que o leite de coco é melhor que a coca cola."

"A fábula do leite de coco e da coca cola é muito simples!!! Desgraçadamente, a publicidade da coca cola faz os povos do Terceiro Mundo esquecer que o coco se encontra nas imensas praias e que simplesmente necessita pegar uma faca e partir o coco para que possa saboreá-lo."

(Glauber Rocha, "Das sequóias às palmeiras," Revolução do cinema novo.)

Wednesday, April 21, 2010

A revolução de Brasília ... 50 anos

"Mas Brasília foi a revolução cultural do Brasil; com sua construção, o Brasil pôde se livrar de seu complexo diante do colonialismo. O despertar político e a consciência do subdesenvolvimento datam da construção de Brasília. Isso é bastante contraditório porque Brasília era uma espécie de Eldorado, a possibilidade que os brasileiros tinham de construir eles mesmos alguma coisa .... De fato, mesmo se o Brasil tem um governo fascista, esse é o país mais revolucionário de toda a América Latina. Tudo se modifica e se agita sem cessar .... O país caminha numa direção revolucionária. É por isso que, embora ainda não consiga ver precisamente o tipo de revolução que acontecerá no Brasil, posso afirmar que ela se dará de uma forma muito original."

(Glauber Rocha, Revolução do cinema novo, p. 200)

Friday, March 26, 2010

que saudade!

saudade de tanta coisa,
tanta coisa que não fiz

saudade de como não era,
e não era porque não quis

fosse o que não foi,
o que seria nem se diz,

saudade de tanta coisa,
tanta coisa ... que feliz!


Copyright © 2010 Marco Alexandre de Oliveira

Sunday, March 21, 2010

poesia em pessoa

poesia que soa
poesia que ressoa

poesia à toa?

poesia em pessoas


Copyright © 2010 Marco Alexandre de Oliveira

Saturday, March 20, 2010

storm

after the rain,
the sun appears,
the tears remain


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Sunday, March 14, 2010

para poesia pura

para que poesia,
poesia para que?

para poesia,
"poesia para"

poesia que para,
para que poesia

para poesia,
"poesia pura"



Copyright © 2010 Marco Alexandre de Oliveira

Thursday, March 11, 2010

vontade

desejo que, se deseja,
quero que, se quer,
o que quer que seja,
seja o que deseja ser


Copyright © 2010 Marco Alexandre de Oliveira

Sunday, February 28, 2010

civilization and barbarianism ...

"Meus Espíritos Instrutores (os Tamai) empurraram-me na boca do jaguar, essa yauaretê chamada metrópole, creio como prova, para que aprendesse e comesse dessa língua e cultura de pedra e aço. Foi assim que comi o pão que a civilização amassou. Sobrevivi. Por isso, devorei o cérebro dessa cidade."

"My Spirit Instructors, (the Tamai), as a challenge, I believe, pushed me through the jaguar mouth, this yauaretê called metropolis, in order to learn and eat from that stone-and-steel language and culture. Thus, I ate the bread that was baked by civilization. I survived. To achieve this, I had to devour the city's brain."

(Kaka Wera Jecupé, Todas as vezes que dissemos adeus / Whenever we said goodbye.)

Saturday, February 20, 2010

look

– Maurício Arruda Mendonça / gringocarioca


look ... I go around crazy searching
for a look that like yours
might calm me a little
and I could call poetry
a deer's leap
an autumn moon

look ... the walls are peeling
dust in all that's left
think a little
cigarette ash pen tube
that wasn't the way I
taught you how to lie I've got
a fever some kind of pain
but even if I'm wrong

look ... speed is a fissure
of youth solitude is
a crazy way of knowing
who is inside you
when the entire city
hates you but
between the souls of jeans
you continue

look ... nothing in the mist besides
butterflies fucking
statues moving
people that forgot
to laugh and you go on
killing yourself
by always saying yes
but

look ... the light rain on the streets
:
your skin on my body
forever



Eu caminhava assim tão distraído


– Maurício Arruda Mendonça


olha ... eu ando louco à procura
de um olhar que como o seu
me acalme um pouco
e eu possa chamar poema
salto de cervo
lua de outono

olha ... a parede se descasca
poeira em tudo o que fica
pense um pouco cinza de
cigarro tubo de caneta
não foi assim que eu te
ensinei a mentir tenho
febre algum tipo de dor
mas ainda que eu erre

olha ... velocidade é uma fissura
da juventude solidão é
um método maluco de saber
quem está dentro de você
quando a cidade inteira
te odeia mas
entre almas de jeans
você segue

olha ... nada na neblina além de
borboletas transando
estátuas se mexendo
pessoas que se esqueceram
de sorrir e você vai
se matando
de tanto dizer sim
mas

olha ... a chuva fina no asfalto
:
a sua pele sobre o meu corpo
pra sempre


Wednesday, February 17, 2010

procura-se

Copyright © 2010 Marco Alexandre de Oliveira