Sunday, December 04, 2016

Self-Translate / Traduzir-se (Ferreira Gullar In Memoriam)


Self-Translate 

A part of me
is everyone;
another part is nobody,
or anyone.

A part of me
is a multitude;
another part strangeness
and solitude.

A part of me
considers, ponders;
another part
wonders.

A part of me
eats and drinks;
another part
thinks.

A part of me
is always here;
another part
suddenly appears.

A part of me
is absurd;
another part,
only words.

To translate one part
into the other part
– which is a question
of life or death –
is an art?

 Ferreira Gullar (Translated by Marco Alexandre de Oliveira)


Traduzir-se
  
Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão;
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

 Ferreira Gullar

Saturday, December 03, 2016

Gringo Carioca no Baile de Gala do Sarau do Escritório! (03/12)


Três anos, né? Quem diria... parece que foi ontem que arrumávamos nosso tapetinho de Peter Brook exatamente na porta do Bar da Cachaça. O baluarte Sérgio Contreiras, nosso primeiro homenageado, ainda encantava as multidões do boteco com o seu cancioneiro que variava entre Cartola e Louis Armstrong. Com o passar dos meses, migrávamos para a Pracinha João Pessoa, que à época, ainda conservava seus bancos. Veio o primeiro aniversário, e com ele o Baile de Gala do Sarau do Escritório, um festival poético que reuniu artistas e espectadores dos mais diversos cantos do globo terrestre. No ano seguinte repetimos a dose, e em 2016, não poderia ser diferente.

Preparem-se! Sábado, dia 3 de dezembro, das 15h às 0h, a Lapa vai tremer!

Serão 4 palcos, 5 coletivos coprodutores, 9 horas de programação, 9 homenageados e dezenas de atrações, entre poetas, músicos, performers, circenses, VJ’s, expositores, um circuito gastronômico de comidas artesanais e o tradicional palco aberto.


Quer se apresentar? Chegue cedo para o palco aberto.

Nos vemos na rua!


#QuemBateCartãoTambémFazPoesia
#SarauDoEscritório

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Programação:
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Palco Lourival (esquina do Bar da Cachaça)
15:00 - Abertura do Baile de Gala do Sarau do Escritório
15:10 - Palco Aberto
15:30 - Banda Preu (música)
16:10 - Gonçalo Ferreira (literatura de cordel)
16:20 - Edmilson Santini (literatura de cordel)
16:30 - Monique Nix (poesia)
16:40 - Gringo Carioca (poesia)
16:50 - Palco Aberto
17:00 - Balalaica (poesia)
17:20 - Palco Aberto
17:30 - Marcio Rufino (poesia)
17:40 - Paulo Sergio (poesia)
17:50 - Palco Aberto
18:00 - MEB (música)
18:40 - Ingra da Rosa (poesia)
18:50 - Ratos Diversos (poesia)
19:00 - Samba Nonsense e Nelson Cebola (música)
19:40 - Jaqueline Calazans (performance)
20:00 - CEP 20.000 (poesia)
20:25 - Átila Bezerra (música)
21:05 - Palco Aberto
21:10 - Marcio Januário (performance)
22:05 - Fábrica Nômade Sonora
22:35 - Comodoro (música)

+
Lançamento do livro "Meu olho não puxado puxou o lado errado", de Yassu Noguchi

Lançamento da antologia "Escriptonita", organizada por Alexandre Guarnieri, Alberto Bresciani, Jorge Elias Neto e Nuno Rau

+
VJ Pri Bittencourt
+
Exposições
15 anos da Taty Maria de Olaria
15 anos da Esthela de Irajá
15 anos da Mylenna de Cordovil
15 anos da Isabella de Vista Alegre | Por Allan Firmino
TABU | Por Tarso Gentil
Janela Fluminense | Por Casa Fluminense
+
Expositorxs
Daniele Souza
Palhas da Jojô
Poeme-se
Casa Fluminense
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Palco Seu Feliciano (esquina da borracharia)
coletivo coprodutor: Sarau TáNo Ponto e Marginow
15:00 - Abertura do palco Seu Feliciano
15:10 - Fabricio Fortes (música)
15:30 - Dando de Antares (música)
15:50 - Mardock (música)
16:10 - Sarauzeiras Oníricas (poesia)
16:30 - Bruno Black (poesia)
16:40 - Rodry e Rael da Mata (música)
17:00 - Os Arteiros (teatro)
17:20 - Max (poesia)
17:30 - Guga Caldwell (poesia)
17:40 - Pequenas Igrejas (música)
18:00 - Valeska Tavares (poesia)
18:10 - Anarcofunk (música)
18:30 - Rodrigo Santos (poesia)
18:40 - Tiago Dias (poesia)
18:50 - Jessé Andarilho (poesia)
19:00 - Eddu Grau (música)
19:20 - Tauan (poesia)
19:30 - Saulo A’fide (música)
19:50 - Emissário Interno (música)
20:10 - Elismar (música)
20:20 - Mestre Zelão do Berimbau (performance)
20:30 - Quarta Qualquer (música)
21:00 - Kaerre (música)
21:20 - Dilvan Vargas (poesia)
21:30 - Conflito Zona Norte (música)
21:50 - Mc Choque (música)
22:00 - Mc Galo (música)
+
Eu Amo Baile Funk
+
VJ Ana Bustamante
+
Exposição
Visualiza que é midia: Funk, Passinho e Envolvência | Por Vivi Laprovita
Divagação | Por Laís Dantas
+
Expositorxs
Barraquinha da Deize
Arte Sol e Lua
LaRue Brechó
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Palco Dilminha (esquina da Choperia do Papai)
coletivo coprodutor: Facção Feminista Cineclube
15:00 - Abertura do Baile de Gala do Sarau do Escritório
15:00 - DJ Feminoise (música)
15:00 - Tatiana Henrique (contação de histórias - Espaço de Acolhimento)
15:30 - Mulheres nos Quadrinhos (roda de conversa)
16:00 - Coletivo Histeria (Oficina de stencil & desobediência civil)
16:40 - MMM de Nova Iguaçu (Bate papo e apresentação de Batuque + gritos de resistência)
17:10 - Palco aberto para mulheres
17:20 - Doris Barros (poesia)
17:30 - Nathy Veras + Arteiras da CDD (performance)
18:00 - Fulanas de Tal (poesia)
18:30 - Teatro de Operações (performance)
18:40 - Disk Musas (poesia)
19:00 - Quitta (performance)
19:10 - Ana Carolina Assis (poesia)
19:20 - Marilene Vieira (poesia)
19:30 - Palco aberto para mulheres
19:40 - Facção Feminista Cineclube
19:55 - Flavia Coutinho (performance)
20:05 - Lançamento do Canal Roque Pense
20:25 - Leticia Britto (poesia)
20:35 - Liv Lagerbad (poesia)
20:45 - Valesk Torres (poesia)
21:55 - Palco aberto para mulheres
21:10 - Cineclube Delas e Quase Catálogo
21:30 - Banda Def (música)
22:00 - Sol Sem Dó (palhaçaria)
22:30 - Banda Gente (música)
23:00 - DJ Feminoize (música)
23:40 - Mulheres Rodadas (Bloco)
+
CINECLUBES
Curadoria Facção Feminista Cineclube & Cartel das Adélias:
Elekô, de Mulheres de Pedra (curta metragem)
Lyz Parayso (vídeo performance)
‘Com o terceiro olho na terra da profanação’ (teaser)
Elis Pinto (video performance)
& ainda
Curadoria de Cineclube Delas e Quase Catálogo:
Samanta Brasil e Camila Vieira
Erica Sarment e Nina Tedesco
+
Espaço de Acolhimento a maternagem e Crianças
+
VJ Projeção Feminina
+
Expo/Feira de arte:
Brechó da Facção
Lojinha da Facção
Stand Roque Pense
Cadernos Bons Ventos
Brumar ateliê + Marina Cristina
LUME
Cartel das Adélias
Mary Yram
O Truque
Pensamento Feminista
Camila Ponte
Elisangela Pinto
Taís Rodrigues
Bárbara Copque e da Simone Ricco
Amanda Sarmento e a Lene Gil.
Nós, as poetas
Débora Injah
+
Expositorxs:
Paçoca Psicodélica (lariquinhas)
Amendoim da Lucília
Rafaela Sarmento (retratos ao vivo)
Taís Rodrigues (tattoo de henna)
Débora Injah (grafite ao vivo)
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Palco Rick Stylus (esquina da Drogaria Max)
coletivos coprodutores: Festival de Música e Cultura de Rua de Bangu e Sarau do Velho
15:00 - Abertura do Baile de Gala do Sarau do Escritório
15:10 - Aparelhagem Malk Espanca (DJ)
15:30 - Ana Lago (Poesia)
15:35 – Meryellen Rangel (Poesia)
15:42 - Mery Onírica (Poesia)
15:50 - Palco Aberto
16:00 - Coletivo R.U.A. (Dança)
16:30 - Vidal Guimarães (Música)
16:50 - Ju Mendonça (Poesia)
17:00 - Projeto Do Nada (Música)
17:40 - Rogê Ferreira (Poesia)
17:50 - Homenagem ao Rick Stylus
18:00 - Bruna Mitrano (Poesia)
18:05 - Eu`s Líricos (Música)
18:45 - DJ Ras Renato (DJ) + Cine Oeste
19:00 - Helena Campos (Poesia)
19:10 - Os Cosmonautas (Música instrumental)
19:40 - Nayabin Bardo (Performance)
20:00 - Palhaçadaria (circo)
20:20 - Maria Bonita e Vandré Nascimento (Música)
20:50 - Pedras Pilotáveis (Música)
21:30 - Os descabelados (Poesia)
21:45 - Palco Aberto
21:55 - Leandro Araújo (Poesia)
22:05 - DJ Oberdan (DJ)
22:20 - Lata Doida (Música)
+
VJ Ras Renato
VJ Oberdan Mendonça
+
Exposições
Thais Alvarenga (Fotografia)
Euter Mangia (Fotografia)
Cine Oeste (Projeção)
Bob Tiago Silva (Exposição de quadros)
Bartolomeu Jr. (Exposição de quadros)
Tainan Cabral (Live painting)
+
Expositorxs
Cia. Olha Só (Teatro Lambe-Lambe)
Felina Linda (Acessórios Femininos)
Brechó Juçara Maria


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BarZar do Sarau do Escritório:
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Biricoticos com o melhor custo benefício da região;
Lambe-lambes de colecionador;
Camisas Poeme-se Sarau do Escritório;
Adesivos do Sarau;

OBS. Temos maquininha de cartão!

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Coletivos coprodutores:
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Facção Feminista Cineclube
Festival de Música e Cultura de Rua de Bangu
Sarau do Velho
Sarau TáNo Ponto
Marginow

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Serviço:
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Quando? Sábado, dia 3 de dezembro de 2016
Que horas? Das 15h às 0h
Pracinha João Pessoa - Lapa / Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro / Brasil / Planeta Terra / Via Láctea

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Informações:
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saraudoescritorio@gmail.com

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Realização:
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Coletivo Peneira

Apoio: Finado Cabaré Carrossel, Poeme-se, Fábrica Nômade Sonora, Casa Fluminense e Bar e Restaurante Os Ximenes.

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. evento coberto com lona . evento gratuito . evento coberto com lona .
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Friday, November 18, 2016

Friday, November 11, 2016

a história da história


Copyright © 2016 Marco Alexandre de Oliveira

woman

she cries,
for some reason,
and I feel sad...


she cries,
for no reason,
and I feel mad...

she smiles,
for some reason,
and I feel glad...

she smiles,
for no reason,
and I feel bad...

she cries for any reason,
she smiles for any reason,
and for every reason,

I feel had...


Copyright © 2016 Marco Alexandre de Oliveira

Wednesday, November 09, 2016

maniacal mania

a marginal america,
impossible utopia,
delusional diaspora,
historical hysteria...

dysfunctional democracy,
incredible hypocrisy,
sensational society,
nonsensical insanity...

through the thorough
politics of rhetoric,
a pathetic apathetic
notion of a nation
mediated by media...

A MANIACAL MANIA!!!

and we’re off to see the wizard,
the wonderful wizard because
in wonderland, through the looking glass,
we think we can, we think we can, we think we can
follow the yellow brick road...

somewhere over the rainbow,
the hills are alive with the sound of…

PANIC!!!

there’s no place like home...
there’s no place like home...
there’s no place like home...


Copyright © 2005/2016 Marco Alexandre de Oliveira

Thursday, October 13, 2016

alô poetas!



alô poetas!
seus bobos e profetas
entre os tambores e cornetas
cadê suas canetas?

alô poetas!
seus anjos e capetas
entre os saltos e piruetas
cadê suas canetas?

alô poetas!
seus Romeus e Julietas
entre os chocalhos e chupetas
cadê suas canetas?

alô poetas!
seus safados e ninfetas
entre as surubas e punhetas
cadê suas canetas?

alô poetas!
seus vagabundos e caretas
entre as artimanhas e letras
cadê suas canetas?

alô poetas!
seus caras de pau e buceta
entre os cartazes e filipetas
cadê suas canetas?

alô poetas!
cadê suas canetas?


Copyright © 2016 Marco Alexandre de Oliveira




Gringo Carioca performando "alô poetas" no CEP 20.000 (29/09/2016)

Lançamento do ESCRIPTONITA: POP-ESIA, MITOLOGIA-REMIX & SUPER-HERÓIS DE GIBI



"A Editora Patuá convida a todos para o lançamento da Antologia Escriptonita - pop/poesia, mitologia-remix & super-heróis de gibi, com organização de Alberto Bresciani, Alexandre Guarnieri, Jorge Elias Neto e Nuno Rau. A apresentação é de Fabrício Carpinejar e o posfácio de Furio Lonza

O evento será realizado no dia 22 de outubro (sábado) a partir das 18h no Patuscada - Livraria, Bar e Café - Rua Luís Murat, 40 - Vila Madalena - São Paulo - SP

A entrada para o evento é gratuita e o exemplar estará à venda por R$ 38,00 (pagamento em dinheiro)

Amigos e leitores de qualquer cidade do país que realizarem a compra antes do lançamento receberão o exemplar autografado após o evento. Imperdível!"

Informações sobre o livro, o autores e compras:


Autores participantes:

1. Adriano Wintter

2. Marcos Bassini

3. Nuno Rau

4. Demetrios Galvão

5. Tavinho Paes

6. Beatriz Provasi

7. Jorge Elias Neto

8. Bruna Piantino

9. Justo D’ávila

10. Waldemar José Solha

11. Andrea Pelagagi

12. André Luiz Pinto da Rocha

13. Rafael Gutiérrez

14. Antônio Lazzuli

15. Gabriel Resende Santos

16. Gringo Carioca

17. Yassu Noguchi

18. Julianna Motter

19. Alexandre Guarnieri

20. Karin Krogh

21. Ana Farrah

22. Ana Elisa Ribeiro

23. Marcelo Adifa

24. Ellen Maria Vasconcellos

25. Mariana Paiva

26. Caê Guimaraes

27. Helena Ortiz

28. Adriana Aneli

29. Leandro Leite Leocadio

30. Adelaide do Julinho

31. Carla Carbatti

32. Pat Duarte

33. Juliana Hollanda

34. Carla Diacov

35. Adriano Lobão Aragão

36. Maria Balé

37. Noélia Ribeiro

38. Jacinto Fábio Corrêa

39. Elisa Andrade Buzzo

40. Ana Maria Lopes

41. Carla Andrade

42. André Caramuru Aubert

43. Caio Meira

44. Nora Fortunato

45. Jorge Ventura

46. Igor Fagundes

47. Bruna Mitrano

48. Glauco Mattoso

49. Cesar Cardoso

50. Carlos D, o Batman Pobre

51. Roberto Dutra Jr.

52. Izacyl Guimarães Ferreira

53. Greta Benitez

54. Ronaldo Cagiano

55. Ana Martins Marques

56. Vivian Pizzinga

57. Alberto Lins Caldas

58. Eliana Mara Chiossi

59. Alex Mandarino

60. Elaine Pauvolid

61. Daniel Faria

62. Rosa Ramos

63. Fred Vieira

64. Vagner Muniz

65. Nathan Sousa

66. Luís Augusto Cassas

67. Adri Aleixo

68. Pat Lau

69. Úrsula Hartalian

Wednesday, September 28, 2016

a estrada da vida

a saia é curta,
a perna é longa;
na estrada da vida,
o destino traça
uma bela curva...

Copyright © 2016 Marco Alexandre de Oliveira

cansamento

era uma vez um caso,
um homem e uma mulher
se amaram: se casaram
um com o outro,
e viveram felizes
para sempre...

era outra vez outro descaso,
outro homem e outra mulher
se odiaram: se cansaram
um do outro,
e morreram infelizes
como nunca...


Copyright © 2016 Marco Alexandre de Oliveira

Monday, July 25, 2016

O Coletivo Nebulosa no Sarau do Escritório (16/06/2016)


O Coletivo Nebulosa no Sarau do Escritório (16/06/2016)



(Bráulio Coelho + Breno Coelho + Gringo Carioca + Vinícius Varela)

Monday, July 11, 2016

o último poema

o último poema
devolveu a palavra
ao silêncio...

Copyright © 2016 Marco Alexandre de Oliveira

Para ti, Paraty!




Paraty, uma cidade
Para ficar na história;
Para mim, uma saudade
Para fixar na memória...

Copyright © 2016 Marco Alexandre de Oliveira

Monday, July 04, 2016

idiotologia


 olho para a direita,

olho para a esquerda,

vejo a mesma merda!



Gringo Carioca no Haicai Combat da OFF-Flip 2016 
(Foto: Claudia Assencio/G1)

Saturday, July 02, 2016

Gringo Carioca no Picareta Cultural!




22h – Picareta Cultural

Poesia, música e cachaça. O sarau mais tradicional da Flip acontecerá na rua atrás da Igreja da Matriz. Participam desta edição: Jovino Machado, Chacal, Mano Melo, os coletivos Balalaica e Vera K., Bliss não tem bis, Allan Jonnes, Dimitri BR, Emerson Alcalde, Walacy Neto, Diego Moraes, Rafa Carvalho, Allan Dias Castro, Rafael Sallati, Matheus José, Gringo Carioca, Caio Carmacho, entre outros.

Local: Igreja da Matriz – Centro Histórico
(em caso de chuva, o evento será realizado no Paço Municipal, ao lado da Igreja do Rosário)




Monday, June 27, 2016

A POESIA É

uma forma de 
PENSAR
uma forma de 
SENTIR
uma forma de 
ESCREVER
uma forma de 
FALAR
uma forma de 
DIZER
uma forma de 
CALAR
uma forma de 
CONTAR
uma forma de 
ESCONDER
uma forma de 
REVELAR
uma forma de 
ILUDIR
uma forma de 
LEMBRAR
uma forma de 
ESQUECER
uma forma de 
INVENTAR
uma forma de 
EXPERIMENTAR
uma forma de 
SABER
uma forma de 
CONHECER
uma forma de 
EXISTIR
uma forma de 
TRANSCENDER
uma forma de 
SER
uma forma de 
ESTAR
uma forma de 
FAZER
uma forma de 
REFLETIR
uma forma de 
AGIR
uma forma de 
REVOLTAR
uma forma de 
CRITICAR
uma forma de 
SUBLIMAR
uma forma de 
CANTAR
uma forma de 
CHORAR
uma forma de 
EXPRESSAR
uma forma de 
MASCARAR

forma com conteúdo
e vice versa
em verso
! ? !


Copyright © 2015 Marco Alexandre de Oliveira

Thursday, June 16, 2016

Coletivo Nebulosa no Sarau do Escritório (16/06)



De olho no lancêee! Vai dar início à partida, senhorxs! E não aceitamos catimba, retranca e nem ficar na banheira como o Baixinho ou ganhar no tapetão feito Cunha e outros.

Relembrando os personagens folclóricos da antiga geral do Maracanã, a firma apresenta a edição Geraldinos e Arquibaldos do Sarau do Escritório!

O Maracanã foi engolido pelo processo de elitização e exclusão em que a cidade do Rio de Janeiro se encontra, e junto a ele dezenas de figurões que compunham o imaginário do futebol carioca. 

Convocamos todos os geraldinos, arquibaldos, funcionários da firma, geral pro nosso sarau. Pelas barbas do profeta, essa edição promete. Diz que vai rolar até gol de letra. A pracinha João Pessoa vai se transformar no Maracanã da poesia, música, performance, circo, exposições, dança, tudo e mais um bocado.

Quer se apresentar? Mande mensagem na página ou chegue cedo para o palco aberto.

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Programação:
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18:00 - Set o som das charangas
19:00 - Abertura do Sarau do Escritório
19:05 - Homenagem a Leon
19:15 - Zé Bigode (música)
19:30 - Felipe Bustamante (poesia)
19:35 - Emerson Caetano (performance)
19:50 - Nathalia Grilo (performance)
19:55 - Claudio Costa (circo)
20:00 - La Piel (música)
20:20 - Kzk de Antares (poesia)
20:40 - Fabrício Fortes (música)
20:55 - Palco aberto
21:00 - Thainá Fárias (performance)
21:15 - Gabriel Versiane (música).
21:30 - Madonna Eiko (poesia)
21:35 - Coletivo Nebulosa (música e poesia)
21:45 - Palco Aberto
21:50 - David Rogério (música)
22:05 -Geovani Martins (poesia).
22:10 - Beto Larubia (música)
22:25 - Ingra Rosa (poesia)
22:30 - Pra Jah (música)
23:00 - Jeca São Faivi (música)

+ Dona Zica (Geraldina)
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Projeção
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VJ Pri Bittencourt
Trailler ‘Os Geraldinos’ - de Pedro Asbeg e Renato Martins
Geral - de Anna Azevedo
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Exposições:
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Onde Nascem os Craques | fotos: Coletivo Pandilla
Dona Zica | fotos: Fábio Caffé

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Expositores:
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Sistah Jamaican Food
Sidney Machado
Brownin
Brigadeiros Literários
Retrozinha

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Estreia do Bar zar do Sarau do Escritório:
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Biricoticos com o melhor custo benefício da região.
+
Lambe-lambes de colecionador + Camisas Poeme-se do Sarau do Escritório + Adesivos do Sarau + Cachacinha artesanal do Escritório

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Serviço:
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Quando? Quinta-feira, dia 16 de junho
Que horas? Das 19h às 23h
Pracinha João Pessoa - Lapa / Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro / Brasil / Planeta Terra / Via Láctea

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Informações:
-----------------

saraudoescritorio@gmail.com

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Idealização:
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Coletivo Peneira

Apoio: Finado Cabaré Carrossel, Poeme-se e Fábrica Nômade Sonora

Thursday, May 19, 2016

GUARNIERI + GRINGOCARIOCA + VARELA = 4 POEMAS DA "CASA DAS MÁQUINAS" [EM VERSÃO TRILÍNGUE]



4 POEMAS DO LIVRO "CASA DAS MÁQUINAS" (2011)
PASSADOS PARA O INGLÊS
POR MARCO ALEXANDRE DE OLIVEIRA,
O "GRINGOCARIOCA",
E PARA O ESPANHOL
POR VINICIUS VARELA



switch

the central operation of this writing
guided from general gears, from the complex
control center (in the core, the code)
to the simple accessories of the chassis (from the hard
cover to the pages of some grammage);
clear here, a machinic grammar, box
of words whose concrete engineering fixes some
syntax, or other, reclusive, hidden,
below the physical typography of poems threaded
either to frames of pig iron, or to plates
of stainless steel; take the book within sight,
(reading is a gas), take it since,
in hand, such a device, book (the mystery is
in the neuron brain, set to a password),
nobody knows, yet, for certain, if, at the torque
of the ignition key, it will start or not.


interruptor

o funcionamento central desta escrita
guiada desde engrenagens gerais, do complexo
centro decisório (no miolo, o código)
aos simples acessórios do chassi (da capa
dura às páginas d'alguma gramatura);
clara aqui, uma gramática da máquina, caixa
de palavras cuja engenharia concreta fixe alguma
sintaxe, ou outra, esta reclusa, oculta
sob a tipografia física de poemas rosqueados
ora a esquadrias de ferro sujo, ora a chapas
de aço inox; tome o livro ao alcance do olhar,
(a leitura é o combustível), tome‐o pois,
à mão, o tal dispositivo, livro (é no cérebro
de neurônios o mistério, à senha), que
ninguém sabe, ainda, ao certo, ao torque
da chave na ignição, se ligará ou não.


interruptor

el funcionamiento central de esta escritura
guiada desde engrenajes generales, del complejo
centro decisorio (en el meollo, el código)
a los simples accesorios del chasis ( de la tapa
dura a las páginas de algun gramaje);
clara aquí, una gramática de máquina, caja
de palabras cuya ingeniería concreta fije alguna
sintaxis, u otra, esta reclusa, oculta
bajo la tipografía física de poemas roscados
ora a escuadrías de hierro sucio, ora a chapas
de acero inoxidable; toma el libro al alcance de la mirada,
(la lectura es el combustible), toma pues,
en manos, el tal dispositivo, libro ( en el cerebro
de neuronas el misterio, la contraseña), que
nadie sabe, aún, al cierto, al par
de la llave en la ignición, si prenderá o no.



1/one light bulb

old is the light of the electric bulb: there’s a
thread of spiraled ellipses, vacuum sealed
under a thin glass campanula, whose radiance
struggles to decipher the shadow, from the borders
of the gloomy living room to the corners and folds
of the nocturnal chamber. the electric light bulb
is a complete candle, striating a constant
crepitation like a certain irregular star, which
is yellow; at one end of the oval
capsule (like a fig under the skin or
any other oblong segment lit from
within) there’s an aluminum screw attached
to the socket, almost the same as the single short
stem of a fruit. switched on, the seemingly burning
flame scintillates, seeps through the
unitary crystal of such a delicate dome;
however when the power is off (or disconnected),
it hides, dark under the fragile mask, its flame
sleeps, and disappears: almost f o s s i l i z e s.


1/uma lâmpada

é velha a luz da lâmpada elétrica: há um
filete d’elipses espiraladas, lacrado a vácuo
sob tão fina campânula de vidro, cujo relume
luta pela decifração da sombra, das bordas
do amplo salão nublado aos recônditos e dobras
do cômodo noturno. é uma vela repleta
a lâmpada elétrica, estriando um crepitar
constante de certa estrela irregular, que
é amarela; numa extremidade da cápsula
ovalada (como um figo sob a casca ou
qualquer outro gomo oblongo aceso desde
dentro) há uma rosca d’alumínio acoplada
ao bocal, quase igual ao caule curto duma
fruta, único. ao ligá‐la, cintila, vaza a
flama que aparenta a queima através do
cristal unitário da cúpula tão delicada;
entretanto quando é nula (ou cancelada)
a conexão à rede de força, se esconde,
escura sob a máscara frágil, sua chama
dorme, some: quase se f o s s i l i z a.


1/una bombilla

es vieja la luz de la bombilla eléctrica: hay un
filete de elipsis espiraladas, envasado al vacío
bajo tan fina campana de vidrio, cuyo relucir
lucha por el descifre de la sombra, de los bordes
de amplio salón nublado a los recónditos y doblas
de la habitación nocturna. es una vela repleta
la bombilla eléctrica, estriando un crepitar
constante de cierta estrella irregular, que
es amarilla; en una extremidad de la cápsula
ovalada (como un higo bajo la cáscara u
cualquier otro gajo oblongo encendido desde
adentro) hay una rosca de aluminio acoplada
al portalámparas, casi igual al tallo corto de una
fruta, único. al prenderla, centella, fluye la
flama que aparenta la quema a través del
cristal unitario de la cúpula tan delicada;
sin embargo cuando es nula (u cancelada)
la conexión a la red de fuerza, se esconde,
oscura bajo la máscara frágil, su llama
duerme, desaparece: al casi f o s i l i z a r s e.



2/two hard drives

double biconvex dragées,
silver, very cold, hard pastilles
inadvertently unattached
in full spin (discs), from a rattling
drum of liquid hydrogen;
were one of the sides flat
such exact fragments would seem
like automatic discharges, to which
must be added the fact however that
this apparatus is not a catapult
and it would never pose a risk to operate it
backwards, the notably fatigued mechanism
being of integral protocol as
since the day of the incident it has been
impossible to derive the cause, perchance
determine the impact of such a lack,
of these two little jewels of logic;
whether it be the critical mismatch inside
a machinic labyrinth, or a factory
defect, whether sudden, human
error, or abusive use: the final
point in the course of physical wear.


2/dois discos rígidos

duplas drágeas biconvexas, de
prata, muito frias, pastilhas rígidas
inadvertidamente desprendidas
em pleno giro (discos), de um estrondoso
tambor de hidrogênio líquido;
tivessem um dos lados achatado
dir‐se‐iam disparos automáticos
estilhaços tão exatos, aos quais
soma‐se entretanto o fato não ser
nenhuma catapulta este aparato
e jamais se suporia arriscado operá‐lo
ao contrário, de íntegro protocolo
é o mecanismo notadamente fatigado
pois desde o dia do incidente não se
pôde apontar a causa, quiçá precisar
se fatal o resultado de tal falta,
destas duas pequenas jóias da lógica;
se o desencontro crítico no interior
de um labirinto maquínico, ou defeito
de fabricação, se erro humano,
abrupto, ou uso abusivo: o ponto
final no decurso do desgaste físico.


2/dos discos duros

dobles drageas biconvexas, de
plata, muy frías, pastillas rígidas
inadvertidamente desprendidas
en pleno giro (discos), de un estrepitoso
tambor de hidrogénio líquido;
tuvieran uno de los lados achatado
se diría disparos automáticos
esquirlas tan exactas, a las cuales
se suma sin embargo el hecho no es
ninguna catapulta este aparato
y jamás se supondría arriesgado operarlo
al revés, de íntegro protocolo
es el mecanismo notablemente fatigado
pues desde el día del incidente no se
puede apuntar la causa, quizá precisar
si fatal el resultado de semejante falta,
de estas dos pequeñas joyas de la lógica;
si el desencuentro crítico en el interior
de un laberinto maquínico, u defecto
de fabricación, si error humano,
abrupto, o uso abusivo: el punto
final en el decurso del desgaste físico.



three gears

123

three gears wear out with the
work of engaging each others'
areas; like a leprosy,
when the gearing gags, the shortage
of oil enchases them in the case; three
gears wear out in the contact
with each others' teeth.

123

three gears disengage the
contract between their bearing s : they
bear off; like a lock,
in the contacts where they
engage, they are subtracted from the various other
parts of the clear machinery; rare each
one of its pieces, the casing not so original.

123

three gears wear out until
they stop engaging each others'
areas: they are unlocked, disengaged,
if they are a disaster, it is so that inert
they encounter not that of the classical machine but
this other, counter‐clockwise work, alibi
for nothing: mere celibate habit.


três engrenagens

123

três engrenagens se desgastam no
trabalho de engatarem suas áreas: umas
às outras; como uma lepra entre elas,
quando o engate engasga, a escassez
de óleo as engasta no encaixe; três
engrenagens se desgastam no contato
entre seus engates: uns contra os outros.

123

três engrenagens se desengatam do
contrato entre seus encaixe s : se
desencontram; como uma trava entre
elas, nos contatos em que engatam seus
encaixes, subtraem‐se às várias outras
partes da clara maquinaria; rara cada
uma das peças, a caixa nada original.

123

três engrenagens se desgastam até que
parem de engatar suas áreas, umas
às outras: se desencaixam, se desengatam,
se são desastre, é para que inertes
encontrem não o da máquina clássica mas
este outro trabalho, anti‐horário, álibi
para nada: mero hábito celibatário.


tres engrenajes

123

tres engrenajes se desgastan en el
trabajo de enganchar sus áreas: unas
a las otras; como una lepra entre ellas,
cuando el enganche atasca, la escasez
de aceite las engasta al encaje; tres
engrenajes se desgastan en el contacto
entre sus enganches: unos contra los otros.

123

tres engrenajes se desenganchan del
contrato entre sus encaje s: se
desencuentran; como un cierre entre
ellas, en los contactos en que enganchan sus
encajes, se sustraen a las varias otras
partes de la clara maquinaria; rara cada
una de las piezas, la caja nada original.

123

tres engrenajes se desgastan hasta que
paren de enganchar sus áreas, unas
a las otras: se desencajan, se desenganchan,
si son desastre, es para que inertes
encuentren no el de la máquina clásica pero
este otro trabajo, antihorario, coartada
para nada: mero hábito célibe.



[http://www.mallarmargens.com/2016/05/guarnieri-gringocarioca-varela-4-poemas.html]



Tuesday, May 03, 2016

ars poetico-política


Gringo Carioca no CEP 20.000 (28/04/2016)



ars poético-política


um poeta,
quando se faz
de político,
é pouco poético,
e muito político,
ele não sabe
da política
da poética.

um político,
quando se faz
de poeta,
é muito político,
e pouco poético,
ele não sabe
da poética
da política.

poético-política,
político-poética,
a poesia se faz política
quando politiza a poética...


Copyright © 2016 Marco Alexandre de Oliveira


Thursday, April 28, 2016

Gringo Carioca no CEP 20.000



mês de abril, o cep tomba os pé sujos da cidade: o tema é "cepésujo".

chega de cultura fashion gourmet, isso não traz felicidade.
se cultura é conversação, e é através das conversas, dos risos, dos olhares, dos encontros, que ela se cria e espalha, o cep, assim como os pés sujos da cidade, são grandes transmissores de cultura.

é muito mais que a arte que queremos. é reinventar o rebolado, fraseados, malemolência, sabedoria e resistência.
que o cep seja esse olhar aberto a toda freguesia, capaz de oferecer uma dose de emoção, de entusiasmo, de contato cara a cara com o outro. cepésujo, vamos bater um papinho ?

o programa traz: chico chico, pedro fonseca, miguel dias e joão mantuano, no trabalho chamado 13.7; marcos mesmo e pedro duarte. vera k, mulheres de buço, gringo carioca, bernardo valença, oficina experimental de poesia, gabriela gaia. teremos também a 1a edição do campeonato carioca de purrinha.

"garçon, traz um cabelo sem sopa".


Monday, April 04, 2016

Sarau Rio 450 anos de poesia - Gringo Carioca




PINK DOG


[Rio de Janeiro]


The sun is blazing and the sky is blue.
Umbrellas clothe the beach in every hue.
Naked, you trot across the avenue.


Oh, never have I seen a dog so bare!
Naked and pink, without a single hair...
Startled, the passersby draw back and stare.


Of course they're mortally afraid of rabies.
You are not mad; you have a case of scabies
but look intelligent. Where are your babies?


(A nursing mother, by those hanging teats.)
In what slum have you hidden them, poor bitch,
while you go begging, living by your wits?


Didn't you know? It's been in all the papers,
to solve this problem, how they deal with beggars?
They take and throw them in the tidal rivers.


Yes, idiots, paralytics, parasites
go bobbing int the ebbing sewage, nights
out in the suburbs, where there are no lights.


If they do this to anyone who begs,
drugged, drunk, or sober, with or without legs,
what would they do to sick, four-legged dogs?


In the cafés and on the sidewalk corners
the joke is going round that all the beggars
who can afford them now wear life preservers.

 
In your condition you would not be able
even to float, much less to dog-paddle.
Now look, the practical, the sensible


solution is to wear a fantasía.
Tonight you simply can't afford to be a-
n eyesore... But no one will ever see a


dog in máscara this time of year.
Ash Wednesday'll come but Carnival is here.
What sambas can you dance? What will you wear?


They say that Carnival's degenerating
— radios, Americans, or something,
have ruined it completely. They're just talking.


Carnival is always wonderful!
A depilated dog would not look well.
Dress up! Dress up and dance at Carnival!


1979




CADELA ROSADA

                         [Rio de Janeiro]

Sol forte, céu azul. O Rio sua.
Praia apinhada de barracas. Nua,
passo apressado, você cruza a rua.

Nunca vi um cão tão nu, tão sem nada,
sem pêlo, pele tão avermelhada...
Quem a vê até troca de calçada.

Têm medo da raiva. Mas isso não
é hidrofobia — é sarna. O olhar é são
e esperto. E os seus filhotes, onde estão?

(Tetas cheias de leite.) Em que favela
você os escondeu, em que ruela,
pra viver sua vida de cadela?

Você não sabia? Deu no jornal:
pra resolver o problema social,
estão jogando os mendigos num canal.

E não são só pedintes os lançados
no rio da Guarda: idiotas, aleijados,
vagabundos, alcoólatras, drogados.

Se fazem isso com gente, os estúpidos,
com pernetas ou bípedes, sem escrúpulos,
o que não fariam com um quadrúpede?

A piada mais contada hoje em dia
é que os mendigos, em vez de comida,
andam comprando bóias salva-vidas.

Você, no estado em que está, com esses peitos,
jogada no rio, afundava feito
parafuso. Falando sério, o jeito

mesmo é vestir alguma fantasia.
Não dá pra você ficar por aí à
toa com essa cara. Você devia

pôr uma máscara qualquer. Que tal?
Até a quarta-feira, é Carnaval!
Dance um samba! Abaixo o baixo-astral!

Dizem que o Carnaval está acabando,
culpa do rádio, dos americanos...
Dizem a mesma bobagem todo ano.

O Carnaval está cada vez melhor!
Agora, um cão pelado é mesmo um horror...
Vamos, se fantasie!
A-lá-lá-ô...!

1979

[Tradução de Paulo Henriques Britto]