HOMENAGEM A MÁRIO BORTOLOTTO
Sunday, December 13, 2009
CEP 20.000
HOMENAGEM A MÁRIO BORTOLOTTO
Friday, December 11, 2009
atire a primeira palavra
são os bandidos são os assaltantes são os traficantes são as facções rivais é o crime organizado é o tráfico de armas é o tráfico de drogas é o contrabando são os bandos de maconheiros e chincheiros é a crackolândia são os viciados são os usuários são os marginais é a contracultura é a esquerda é a direita é o poder é o sistema é o estado é o governo são os políticos é a corrupção são os ladrões são os caras sem vergonha na cara são os sem caráter é a justiça é a polícia é a repressão é a proibição é a opressão é a guerra às drogas é a guerra às pessoas são as guerras em geral é o terrorismo são os estados unidos é o velho inimigo amigo tio sam é a nova ordem mundial é o imperialismo é o neoliberalismo é o neocolonialismo é a dominação é a exploração é o dinheiro é o mercado é a bolsa de valores é o capitalismo é o consumismo é o materialismo é o simulacra é a modernidade é o pós-moderno é o pós-humano são os homens são os ignorantes e arrogantes e mal-educados é a sociedade são as classes sociais é a pobreza é a miséria são as favelas é a exclusão é o racismo é o preconceito é a intolerância é o relativismo cultural é o ceticismo é o cinismo é o discurso atual é a mídia são as notícias e a propaganda são os jornais e o rádio e a televisão e a internet é o mal do bom gosto é a opinião pública privada de bom senso são as marchas e protestos são a paz e o amor são os movimentos a favor e contra são os fanáticos é a hipocrisia são as ideologias são as diversas bandeiras é a desordem e o regresso é a desigualdade é a disparidade é o subdesenvolvimento é a falta de infraestrutura é a falta de recursos é a falta de vontade é a falta de solidaridade é o excesso de agressividade é o excesso de tudo é o excesso de todos é o luxo é o lixo são os shoppings são os ricos é a ambição é a ilusão é a decepção é a mediocridade é a banalidade é a burguesia é o conforto é o conformismo é a complacência é a cumplicidade são as festas são os festivais é a boemia são os artistas são os poetas são os críticos são os critérios são os demais
sou eu
sou eu que falo
sou eu que falo e não me calo
sou eu que falo e não me calo mas não faço
sou eu que falo e não me calo mas não faço nada
sou eu que falo e não me calo mas não faço nada e mais nada
Copyright © 2009 Marco Alexandre de Oliveira
* * *
10/12/2009
CEP 20.000
Espaço Cultural Sérgio Porto
Rio de Janeiro
Wednesday, December 09, 2009
samba pra tati
dá uma dor, que bate lá no peito
dá tanta vontade ...
dá tanta vontade ...
dá tanta vontade ...
de morrer
há quanto tempo que não aproveita o momento
o cheiro da flor, o canto do vento
dá tanta saudade ...
dá tanta saudade ...
dá tanta saudade ...
de viver
deixar a vida levar
deixar a morte chegar
deixar a chama apagar
não dá pra deixar
não! a paixão deve ser
a solução, pode crer
e vai ver o velho amor se renovar
Copyright © 2009 Marco Alexandre de Oliveira
The Writer's Technique ...
"In your working conditions avoid everyday mediocrity. Semi-relaxation, to a background of insipid sounds, is degrading. On the other hand, accompaniment by an etude or a cacophony of voices can become as significant for work as the perceptible silence of the night. If the latter sharpens the inner ear, the former acts as a touchstone for a diction ample enough to bury even the most wayward sounds."
"Keep your pen aloof from inspiration, which it will then attract with magnetic power. The more circumspectly you delay writing down an idea, the more maturely developed it will be on surrendering itself. Speech conquers thought, but writing commands it."
"Consider no work perfect over which you have not once sat from evening to broad daylight."
"Do not write the conclusion of a work in your familiar study. You would not find the necessary courage there. "
"Stages of composition: idea – style – writing…. The idea kills inspiration, style fetters the idea, writing pays off style."
"The work is the death mask of its conception."
(Walter Benjamin, “Post No Bills: The Writer's Technique in Thirteen Theses,”
One-Way Street)
Wednesday, November 04, 2009
In Memoriam ...
(Claude Lévi-Strauss, Myth and Meaning.)
Sunday, November 01, 2009
Thursday, October 29, 2009
homesick
Era uma alguma vez
Num algum lugar eu era
Algo a mais ou menos
Lá longe onde
Achei que senti que era
Alguém
Se qualquer um em qualquer momento
É qualquer coisa para qualquer outro
Em qualquer lugar mesmo
Nos seus olhos
Um espelho
Reflete a sombra
No seu coração
Um labirinto
Esconde o segredo
Na sua voz
Um eco suspira
Talvez, talvez, talvez ...
Escolhe –
Este ou esse –
E então
Até que enfim
Todos os caminhos acabam
Na terra do são nunca para sempre
A cada vez que acordo
Sonhando a sois,
Todo lugar é lugar nenhum
E aqui onde vejo
Nada demais nem menos,
Acho que sinto que sou
Ninguém
Copyright © 2009 Marco Alexandre de Oliveira
Tuesday, October 27, 2009
On "Essences and the Signs of Art" ...
“Art therefore has an absolute privilege, which is expressed in several ways. In art, substances are spiritualized, media dematerialized. The work of art is therefore a world of signs, but they are immaterial and no longer have anything opaque about them, at least to the artist’s eye, the artist’s ear. In the second place, the meaning of these signs is an essence, an essence affirmed in all its power. In the third place, sign and meaning, essence and transmuted substance, are identified or united in a perfect adequation. Identity of a sign as style and of a meaning as essence: such is the character of the work of art.” (p. 50)
(Gilles Deleuze, Proust & Signs. Trans. Richard Howard)
Wednesday, October 14, 2009
Monday, October 12, 2009
the OTHER voice ...
(Octavio Paz, “The Other Voice.” The Other Voice. Trans. Helen Lane. p. 151-152)
Wednesday, October 07, 2009
tia
tia, me dá um trocadinho, tia!
a gente tá com sede,
a gente tá com fome ...
tia, me dá uma moedinha, tia!
a gente tá sem cara,
a gente tá sem nome ...
tia, me dá uma comidinha, tia!
a gente já nem bebe,
a gente já nem come ...
tia, me dá um carinho, tia!
a gente já não acorda,
a gente já não dorme ...
Copyright © 2009 Marco Alexandre de Oliveira
"A fiction that by no means savours of barbarity"
(Michel de Montaigne, “Of Cannibals.” Trans. E. J. Trechmann)
Sunday, October 04, 2009
(k)no(w) (k)no(w) ...
(Michel de Montaigne, “Of Cannibals.”)
Sunday, September 27, 2009
à luta
guerreiro
e vai ver
que quem vence
a luta
é a puta
que te pariu
Copyright © 2009 Marco Alexandre de Oliveira
Monday, September 21, 2009
translation as re-creation ...
“We may say, then, that every translation of a creative text will always be a 're-creation,' a parallel and autonomous, although reciprocal, translation – 'transcreation.' The more intricate the text is, the more seducing it is to 're-create' it. Of course in a translation of this type, not only the signified but also the sign itself is translated, that is, the sign’s tangible self, its very materiality …. The signified, the semantic parameter, becomes just a kind of boundary marker for the 're-creative' enterprise. We are, then, at the opposite end of the 'spectrum' from the so-called literal (or servile) translation.” (p. 315-316)
Translation of poetry (or of prose with an equal degree of difficulty) is, above all else, an experiment in introspection into the world and technique of the text to be translated. It is as if one took apart and, at the same time, put back together again the machine of creation, that frail and apparently inaccessible beauty that offers us a finished product in a foreign language but which, nevertheless, is able to give itself over to an implacable vivisection, to an operation in which it will literally be disemboweled and then reformed, reconstituted, in a new and different linguistic body.” (p. 323)
(Haroldo de Campos, “Translation as Creation and Criticism.” Novas: Selected Writings. Trans. Antonio Sergio Bessa, Odile Cisneros)
“Admitida a tese da impossibilidade em princípio da tradução de textos criativos, parece-nos que esta engendra o corolário da possibilidade, também em princípio, da recriação desses textos.” (p. 34)
“Então, para nós, tradução de textos criativos será sempre recriação, ou criação paralela, autônoma porém recíproca. Quanto mais inçado de dificuldades esse texto, mais recriável, mais sedutor enquanto possibilidade aberta de recriação. Numa tradução dessa natureza, não se traduz apenas o significado, traduz-se o próprio signo, ou seja, sua fisicalidade, sua materialidade mesma .... O significado, o parâmetro semântico, será apenas e tão somente a baliza demarcatória do lugar da empresa recriadora. Está-se pois no avesso da chamada tradução literal.” (p. 35)
“A tradução de poesia (ou prosa que a ela equivalha em problematicidade) é antes de tudo uma vivência interior do mundo e da têcnica do traduzido. Como que se desmonta e se remonta a máquina da criação, aquela fragílima beleza aparentemente intangível que nos oferece o produto acabado numa língua estranha. E que, no entanto, se revela suscetível de uma vivissecção implacável, que lhe revolve as entranhas, para trazê-la novamente à luz num corpo linguístico diverso.” (p. 43)
(Haroldo de Campos, “Da tradução como criação e como crítica”. Metalinguagem e outras metas.)
Wednesday, September 16, 2009
poemargens ...
(Fernanda Medeiros, "Poesia 70 e Poesia 90," O Carioca, Primavera 1998)




